Desastres Ambientais
O mundo não está preparado
Desde que o homem desceu das árvores ele vem causando danos ao meio ambiente, e a discussão desse assunto é intensa, frequente e repleta de pontos de vista contraditórios. Especialistas de vários ramos científicos, ambientalistas, sociólogos, filósofos e leigos como políticos, religiosos e palpiteiros em geral deblateram constantemente para encontrar culpados (a maioria) e soluções (a minoria) para os problemas causados pela interação deletéria entre os habitantes desse planeta e o meio em que vivem.
As modificações lentas e acumulativas são percebidas apenas após muitos anos de atividade predatória, e acabam escondidas por uma espessa camada de dados inconclusivos, interesses econômicos difusos e falta de vontade política, ao contrário do que ocorre com os grandes desastres, que se manifestam de maneira repentina – em alguns casos, em outros de maneira bastante previsível – e com consequências catastróficas, que não podem ser escondidas, mesmo que houvesse interesse nisso.
Quando as calamidades tem origem essencialmente natural – como é o caso dos terremotos, tsunamis, furacões e outros – é comum sentirmos certa dose de resignação e dizer coisas do tipo: “não há o que fazer”, “a natureza é muito poderosa” ou, como alguns políticos gostam de se desculpar, “choveu demais naqueles dias”. Em outras situações, quando o desastre é provocado diretamente pelo homem, a notícia surge de uma forma muito mais incisiva e toma conta dos veículos de comunicação, causando indignação em todos que tomam conhecimento do ocorrido.
Assistimos a diversos eventos catastróficos no nosso passado recente, sendo que os seguintes merecem destaque entre muitos outros: Bhopal na Índia em 1984, Chernobyl na Ucrânia em 1986, Exxon Valdez no Alasca em 1989, British Petroleum no Golfo do México em 2010 e Chevron na Bacia de Campos em 2011. Algumas das empresas envolvidas nesses desastres são petrolíferas, a maioria dos eventos envolve o vazamento ou derramamento de produtos químicos e quase todas as empresas são privadas. Além dessas coincidências há um fator que se repetiu em todos esses episódios: em nenhum caso a resposta estava à altura da emergência. Os seguintes fatores puderam ser observados em mais de um dos eventos citados:
• Faltava treinamento na equipe de socorro.
• A lista de contatos a serem acionados estava desatualizada.
• Houve desencontro – proposital ou não – de informações trocadas entre as empresas e os órgãos fiscalizadores governamentais.
• Os equipamentos de combate à emergência demoraram a chegar.
• Quando chegaram, os equipamentos eram inadequados.
• Não havia procedimentos que detalhassem as etapas do combate.
• A assessoria de imprensa não sabia lidar com o fluxo de informações que entravam e saíam da empresa.
A causa óbvia para esses lapsos é a falta de planejamento, mas não apenas isso. Exercícios de simulação realizados periodicamente e de forma controlada poderiam identificar antecipadamente a maioria dos equívocos citados acima, de maneira que pudessem ser evitados. Os simulados são valiosas oportunidades de ensaiar situações como se fossem reais e demonstrar suas fragilidades, como num treino de futebol, onde levar gols é permitido, desde que com eles se aprenda a atuar no jogo verdadeiro e decisivo.
Evidentemente é mais inteligente tomar atitudes que previnam a ocorrência de incidentes, mas nem sempre é possível evitá-los. Para essas situações devem ser estabelecidos planos de resposta a emergências, deve ser planejado, monitorado e melhorado sempre que possível, no entanto grande parte das empresas ainda não percebeu isso. As atitudes preventivas ainda são negligenciadas em nome do princípio do “se quebrar consertamos”, sem que se dê conta de que em muitos casos não é possível “consertar” a situação. Várias companhias tiveram suas imagens irremediavelmente ligadas a eventos negativos e tiveram que suspender suas atividades, outras foram obrigadas a pagar multas exorbitantes, além dos custos de remediação que invariavelmente recaem sobre os detentores da culpa pelo ocorrido. Planejar e prevenir são atitudes seguramente mais econômicas do que deixar os acidentes acontecerem.
Flavio Oliveira
E-mail:
Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Artigos
INCÊNDIO FLORESTAL: PROBLEMA AMBIENTAL OU SOCIAL?
Nas últimas semanas percorri algumas áreas do nosso querido cerrado
Leia mais...
AS FERRAMENTAS QUE PREVINEM E GERENCIAM A CRISE NO PROCESSO DE GESTÃO DE RISCOS
Gerenciar risco é uma atividade que o ser humano faz o tempo todo.
Leia mais...
NÓS E O PLANETA TERRA
Parece estranho, mas apesar da correria da vida moderna, de uma competitividade cada vez mais acirrada, de tecnologias e metodologias que surgem a todo o momento...
Leia mais...
A ARTE DE ESPERAR
Parece estranho, mas apesar da correria da vida moderna, de uma competitividade cada vez mais acirrada, de tecnologias e metodologias que surgem a todo o momento, diante de metas...
Leia mais...
VERIFICAÇÃO E VALIDAÇÃO DE PROJETOS E INVENTÁRIOS DE GASES DE EFEITO ESTUFA CONFORME ISO14064
Resumo: o mercado de créditos de carbono assume proporções econômicas elevadas, e para manter a confiança nos projetos de redução/remoção de Gases de Efeito Estufa (GEE) e inventários...
Leia mais...
RESGATE PODE SER UM PONTO DE INFLEXÃO
“Este país precisa entender que são necessárias mudanças”, disse na madrugada de ontem Mario Sepúlveda, o segundo mineiro chileno resgatado de um grupo de 33 que passou mais de dois meses...
Leia mais...
Página 1 de 3